Acabar Com As Desculpas

Gostávamos que as circunstâncias fossem outras, mas há sempre uma “boa desculpa" para nada se fazer. São desculpas que damos aos outros e a nós próprios.

É fácil saber quando não se está bem, quando não se gosta do que se faz. Sentimo-nos frustrados e somos constantemente desencorajados pela sociedade, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, pela família, por nós mesmos. Estamos repetidamente a pensar que algo devia ser feito. Gostávamos que as circunstâncias fossem outras, no entanto há sempre uma “boa desculpa” para nada se fazer. São desculpas que damos aos outros e desculpas que damos a nós próprios.

Tenho que admitir que as minhas desculpas mais comuns para nada fazer são: “Não tenho tempo”; “É muito difícil”; “Não tenho dinheiro”; “Não sei o que fazer ou o que mudar”; ou simplesmente “Agora não”.

“Não tenho tempo!”

Na minha experiência, há duas situações em que uso esta “desculpa”:

  • quando estou a trabalhar ou tenho uma actividade que me ocupa muitas horas. Nem tenho tempo para aquilo que mais gosto. Quando isto acontece, devia investigar maneiras de gerir melhor o meu tempo. Assim podia sobrar-me mais tempo para o que realmente gosto de fazer.
  • quando tenho o tempo ocupado com tarefas de menor importância ou sem relevância. Nestes casos, deveria rever as minhas prioridades e avaliar o que posso fazer para conseguir ganhar tempo. Neste momento não vejo televisão mas antigamente passava muitas horas a ver séries no portátil. Reduzi o tempo gasto a ver séries (um episódio por dia é o suficiente para descansar a mente) e agora tenho mais tempo para coisas que acho realmente importantes.

Muitas vezes estamos dispostos a trabalhar mais horas para algo que nem gostamos, mas não estamos dispostos a pensar durante umas horas no que poderíamos mudar na nossa vida. Trabalhamos mais e despendemos tempo extra em tarefas que não contribuem para a nossa felicidade. Em contrapartida, não arranjamos tempo para as coisas que nos podem dar mais prazer ou que nos podem fazer mais felizes.

Uma das formas que uso para evitar este tipo de “desculpa” é questionar-me se realmente a falta de tempo é uma realidade ou se é apenas mais uma “desculpa”. Quando me ouço dizer “Não tenho tempo”, de seguida pergunto-me porquê e na maioria das vezes dou por mim a inventar mais “desculpas” e logo percebo que tenho tempo se quiser.

“É muito difícil”

Muitas vezes dei esta resposta/”desculpa” sem pensar. Dizemos que algo é difícil sem sequer o tentarmos fazer e assumimos que é mesmo assim.

Obviamente que mudar é difícil, mas será assim tão complicado? Apenas precisamos de simplificar o processo e agir. Se ficarmos à espera que algo aconteça, muito provavelmente não vai acontecer nada. No entanto, se dermos o primeiro passo e a partir daí formos consistentemente realizando acções que nos permitam chegar onde queremos, temos boas probabilidades de ser bem sucedidos.

Às vezes as coisas não são tão difíceis como parecem. Apenas temos que pensar o que poderíamos fazer para lá chegar e dar o primeiro passo.

“Não tenho dinheiro”

Esta é a “desculpa” mais sensível. É aquela que aparentemente não tem solução e nos faz desistir de sequer pensar sobre o assunto. Mas será que precisamos de dinheiro para dar o primeiro passo para mudar a nossa vida? Acredito que não.

Para mudar de vida é necessário saber o que queremos mudar e saber quais as várias etapas para lá chegar. Para isto não precisamos de dinheiro. E podem perguntar-me: então e depois? O depois só saberemos quando fizermos o nosso plano, quando soubermos as várias etapas que temos que passar.

É nessa altura que vamos ter consciência do que é preciso para alcançar os nossos objectivos. É nesse momento que poderemos criar e investigar soluções para cada etapa.

O importante é planear e dar o primeiro passo.

“Não sei o que fazer ou o que mudar”

Se não sabemos o que queremos fazer, então o primeiro passo é descobrir. Descobrir o que gostamos, o que não gostamos, descobrir o que queremos e o que não queremos, descobrir quem somos e o que gostaríamos de ser.

Este é um processo que ainda estou a investigar, pois eu própria não sei o que quero fazer profissionalmente. No entanto, esta “desculpa” não me faz parar de agir. Só o facto de estar activamente à procura de respostas, já faz com que esteja mais próxima daquilo que quero (mesmo não sabendo ao certo o que é).

Esta procura incessante por saber qual o objectivo da nossa vida, é por si só uma acção que não deve ser desprezada.

“Agora não”

Estamos constantemente a adiar as decisões mais importantes. Eu já adiei demasiado tempo. Se queremos realmente mudar as nossas vidas, o momento para o fazer é agora. É agora que a nossa vida está a decorrer e é agora que devemos investir no que mais gostamos de fazer.

Se passarmos a vida a adiar tudo o que gostaríamos de fazer, vamos chegar ao fim da vida sem ter nada feito.

Em resposta ao “Agora não”, faço a pergunta “E porque não agora?”. Se a nossa resposta agora, for igual à resposta que daríamos daqui a um ano ou dez anos, então nada faremos para conseguir o que queremos.

Vou pôr de lado as “desculpas”

Mesmo quando não se tem tempo, não se tem dinheiro e não se sabe o que mudar, a solução é agir: é dar o primeiro passo. E este passo pode ser tão simples como descobrir ferramentas para gerir melhor o tempo, ou procurar outras oportunidades, ou experimentar coisas novas, ou conhecer pessoas diferentes, ou melhorar as nossas capacidades.

Estou convencida que a maioria das pessoas permanece paralisada, vendo a vida passar sem agir pois têm medo do desconhecido e não têm a certeza sequer do que querem fazer.

Também eu tenho medo do desconhecido. Também eu não sei o que quero fazer no futuro. No entanto, vou fazendo coisas que sei que me vão ajudar a alcançar o que necessito para seguir o meu caminho.

Hoje em dia existem tantos livros, tantas ferramentas, tantos cursos online, tanta informação que podemos usar para melhorar as nossas condições, que chegam a ser ridículas as desculpas que damos para adiar a nossa vida. O mais provável é daqui a uns anos pensarmos que devíamos ter feito qualquer coisa para mudar e agora estamos arrependidos de não o termos feito.

Posso confessar que ainda me apanho a usar algumas destas desculpas, mas agora que tenho mais consciência delas, vou tentar perceber quais os riscos que corro quando penso em agir, quais os riscos de mudar. E acho que vou chegar à conclusão que os riscos são poucos e os benefícios que me podem trazer são muitos.

Posto isto, chega de desculpas. Não vou perder a oportunidade de arriscar um pouco para poder estar cada vez mais perto do meu objectivo, da vida que eu quero.

E tu? Que mais desculpas achas que existem? Costumas usar alguma destas “boas desculpas”?

2 comentários em “Acabar Com As Desculpas

  1. a falta de tempo parece ser um mal comum mas na verdade o que falta é uma boa gestão de prioridades. Pessoalmente a experiência diz-me que quando há vontade, o tempo encontra-se sempre.
    Quanto às outras desculpas, a espera do momento certo e a dificuldade são as que mais me desafiam.
    um beijinho,
    Silvia

    • Susana comentou:

      Obrigada pelo teu comentário. É verdade que quando há muita vontade, encontra-se tempo. Mas às vezes temos as prioridades mal definidas e acabamos por dar a desculpa do não ter tempo para coisas que gostamos muito de fazer. Isso já me aconteceu algumas vezes. Não tinha pensado nas desculpas como desafios, mas é bem visto! São bem desafiantes! Bjs

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